365 DIAS, 30 MILHÕES SUMIDOS: A FARSA DO 'RESGATE' E AS REFORMAS MAIS CARAS (E PIORES) DA HISTÓRIA DA CIDADE
A Prefeitura Municipal de Eliseu Martins-PI, encerrou o ano de 2025 com uma arrecadação total que gira em torno de R$ 30 milhões, considerando todos os repasses federais, estaduais e receitas próprias. O valor é aproximado, pois parte das taxas municipais — como as de aração de terras e vigilância sanitária — são pagas em espécie a funcionários e não constam oficialmente nos balancetes. Mesmo com essa expressiva soma, que poderia transformar a realidade de um município de pequeno porte, a população testemunhou um ano marcado pela falta de investimentos reais, reformas questionáveis, atrasos de pagamentos e uma sensação generalizada de estagnação.
Em vez de inaugurar novas obras, a gestão do prefeito Marcos Aurélio Guimarães de Araújo limitou-se a promover reformas — muitas delas alvo de suspeitas de superfaturamento.
Casos como o do "Azul Piscina", uma pracinha de pouco mais de 20 m² que consumiu R$ 75 mil, e a reforma do Estádio Municipal, cujo gramado de R$ 450 mil não durou 30 dias e sequer recebeu o sistema de irrigação já pago, expõem o desperdício de recursos.
Na saúde, a reforma da UBS Miguel Ferreira não conseguiu esconder o colapso no atendimento: faltavam ambulâncias — muitas vezes emprestadas de outras cidades —, médicos, medicamentos e agentes de saúde, com bairros inteiros sem visitas durante todo o ano.
Enquanto outros municípios, os professores comemoraram o rateio do repasse do Fundeb, os de Eliseu Martins sofreram descontos e até atrasos. O social resumiu-se a cortes no Bolsa Família e à distribuição de cestas básicas de baixo valor (cerca de R$ 50), usadas como moeda de propaganda eleitoral.
Serviços básicos, como limpeza urbana, foram negligenciados, com lixo acumulado nas ruas e transporte feito de forma improvisada até em caminhões baú de mudanças. Para completar, a Prefeitura parcelou e reparcelou dívidas previdenciárias, inclusive a do servidor que teve o valor descontado em seu contracheque, deixou fornecedores e funcionários com pagamentos atrasados e manteve uma gestão financeira frágil e pouco transparente.
Dos 30 milhões arrecadados, pouco restou em melhorias concretas para a população. O povo merece mais do que migalhas e selfies. Merece saber por que R$ 30 milhões viraram pó — e quem lucrou com isso.

