A FARSA CONTINUA: 8 DIAS DEPOIS, PREFEITURA E TCE MANTÊM DOCUMENTOS ILEGÍVEIS (E 1 FALSO!) NO AR
Escândalo se aprofunda: Dos 32 documentos, apenas 3 são legíveis e 1 desses ainda é falso!
O esquema de opacidade da Prefeitura de Eliseu Martins - PI foi além do que se podia imaginar. Enquanto transformou 29 demonstrativos fiscais — incluindo balanços, relatórios de saúde, educação e dívida — em arquivos ilegíveis e indecifráveis, a administração municipal fez uma escolha reveladora: deixou apenas três documentos perfeitamente legíveis. E essa seleção não foi por acaso. Ela desenha um retrato nítido e aterrador da prioridade dessa gestão: fingir, se autovalidar e garantir que os pagamentos obrigatórios estejam em dia, enquanto esconde tudo o que realmente importa.
O primeiro documento legível é uma mentira descarada. A "Relação de Veículos Próprios e/ou Cedidos" lista carros que não existem no município, como um luxuoso Volvo S60 2015 elétrico, com placas de Teresina e Floriano e órgãos cedentes fictícios. É um modelo de exemplo, copiado e colado sem qualquer vergonha. A prefeitura prova que sabe gerar um arquivo claro — mas só o faz para alimentar uma farsa. É a transparência do faz de conta.
O segundo documento legível é um autoelogio vazio. O "Parecer do órgão de controle interno" ocupa uma única página com frases genéricas, declarando — sem apresentar um único número, uma única análise concreta — que tudo está em ordem, que os recursos foram aplicados corretamente e que o parecer é favorável. A pergunta que arde é: como esse controle interno emitiu um parecer sobre 29 documentos que são puro lixo digital? Como auditou o que não pode ser lido? A resposta é óbvia: não auditou. O parecer é um carimbo automático, uma simulação de fiscalização destinada a enganar o sistema e a população.
O terceiro e último documento legível é o mais revelador de todos: são os comprovantes de pagamento das contribuições previdenciárias ao Fundo do RPPS. Várias TEDs, detalhadas com datas, valores, contas bancárias e autenticações, somando dezenas de milhares de reais. Aqui, a legibilidade é total. A prefeitura não brinca quando se trata de provar que pagou o que é estritamente obrigatório — e cujo atraso traria consequências imediatas, como multas e ação do Ministério Público. É a transparência seletiva em seu ápice: mostra-se o dinheiro saindo, mas esconde-se completamente de onde ele veio, como foi arrecadado e em que outras áreas foi — ou não foi — aplicado.
Juntos, esses três documentos formam o triângulo perverso da gestão de Eliseu Martins: distrair com uma mentira inofensiva, simular fiscalização com um aval vazio e garantir a lisura apenas nos pagamentos que evitam sanções. Enquanto isso, o essencial — a execução orçamentária, a aplicação dos recursos em saúde, educação, infraestrutura e o real estado das contas públicas — permanece enterrado sob uma pilha de 29 arquivos corrompidos, inúteis e ilegíveis.
O Tribunal de Contas do Estado do Piauí não pode se dar ao luxo de ignorar essa evidência. Um parecer de controle interno baseado em documentos ilegíveis é uma fraude. Comprovantes de pagamento sem os demonstrativos de origem são uma meia-verdade. E uma planilha de veículos falsa é crime de falsidade ideológica. A omissão do TCE-PI diante de um esquema tão claro seria conivência.
A população de Eliseu Martins precisa cobrar, e cobrar agora: onde estão os documentos reais? O verdadeiro balanço? A planilha real da frota municipal? Os demonstrativos detalhados da saúde e da educação? Enquanto esses arquivos não forem disponibilizados de forma íntegra, clara e legível, qualquer "prestação de contas" continuará sendo um triângulo do absurdo, pago com o dinheiro de quem merece, no mínimo, o respeito da verdade.
Confira abaixo a lista dos documentos e o link para ter acesso a qualquer um deles!
