Eliseu Martins - PI: A Festa que Não Alimentou o Espírito da Cidade

21/10/2025

Ontem, 20 de outubro, Eliseu Martins completou 68 anos de vida própria como cidade. O prefeito decretou feriado, mas o dia foi quase um dia normal, longe do que se espera para uma data tão especial. A festa que deveria unir o povo acabou mostrando mais os problemas do que a união, deixando a gente pensando sobre o que é realmente importante para uma administração pública.

A manhã começou com um silêncio que falou mais alto que palavras. Na missa em ação de graças, o prefeito tinha chamado todos os funcionários, principalmente os que têm cargo de confiança. Mas o que se viu foi só a panelinha do poder: prefeito, vice, presidente da câmara e poucos vereadores. O povo e a maioria dos funcionários nem apareceram. Parece que o recado do chefe não foi entendido, ou talvez tenha sido ignorado de propósito.

Na parte da tarde, a praça encheu. A festa juntou o aniversário da cidade com uma comemoração atrasada do Dia das Crianças. As crianças foram mesmo o principal público, mas a alegria foi pouca. Os brinquedos e os palhaços profissionais contratados pela prefeitura, na opinião das crianças, "não tinham graça". E a fome foi um problema sério. A prefeitura só distribuiu pipoca e dindin de graça. Havia outros lanches na praça, mas tudo para comprar, um preço que muitas famílias simples não podiam pagar. Tem relato de criança que veio da zona rural e voltou para casa com a barriga vazia. A lembrancinha que deram para os pequenos veio com um salgadinho Kiko's e uns doces, um mau exemplo numa época em que tanto se fala em comer direito.

Imagem compartilhada do conteúdo do pacote entregue às crianças
Imagem compartilhada do conteúdo do pacote entregue às crianças

Para fechar a noite, o som que tocou na praça foi o do vereador Ricardo do Dé. Isso chamou a atenção porque o presidente da câmara já tinha dito em sessão que o som desse vereador "jamais" seria usado pela prefeitura. Um detalhe que mostra as brigas políticas que parecem ser mais importantes do que a união no aniversário da cidade.

Enquanto a festa de ontem foi considerada por muitos "muito fraca" e "pior que as dos prefeitos anteriores", a esperança agora é a sexta-feira, dia 24. A prefeitura vai pagar R$ 100 mil por um show da banda de forró Galícia Cruz. Esse contrato foi feito sem licitação, usando uma regra que permite isso em casos especiais. Só em 2025, a prefeitura já usou essa regra para gastar mais de 2 milhões, um número que preocupa.

A promessa é que o show vai vir junto com a inauguração de algumas reformas que já deram o que falar, com suspeitas de que custaram muito mais caro do que deveriam. Será que um show caro e obras com preço alto vão fazer o povo esquecer a fome e a desorganização do feriado? Ou vão ser só uma cortina de fumaça para os problemas de sempre?

Eliseu Martins fez 68 anos. Mas a pergunta que não quer calar, depois de uma festa com criança com fome e missa vazia, é: comemorar uma cidade é só fazer show e inaugurar obra? Ou é garantir o básico, como não deixar sua gente, principalmente as crianças, passando necessidade no próprio dia do aniversário? A esperança é que, até os 69 anos, o "puxa-saco" que realmente importa – que é cuidar bem do povo – seja finalmente entendido. Por enquanto, a sensação que ficou para muitos foi a de que "deveria ter ficado em casa".