Eliseu Martins - PI: A Festa que Não Alimentou o Espírito da Cidade
Ontem, 20 de outubro, Eliseu Martins completou 68 anos de vida própria como cidade. O prefeito decretou feriado, mas o dia foi quase um dia normal, longe do que se espera para uma data tão especial. A festa que deveria unir o povo acabou mostrando mais os problemas do que a união, deixando a gente pensando sobre o que é realmente importante para uma administração pública.
A manhã começou com um silêncio que falou mais alto que palavras. Na missa em ação de graças, o prefeito tinha chamado todos os funcionários, principalmente os que têm cargo de confiança. Mas o que se viu foi só a panelinha do poder: prefeito, vice, presidente da câmara e poucos vereadores. O povo e a maioria dos funcionários nem apareceram. Parece que o recado do chefe não foi entendido, ou talvez tenha sido ignorado de propósito.
Na parte da tarde, a praça encheu. A festa juntou o aniversário da cidade com uma comemoração atrasada do Dia das Crianças. As crianças foram mesmo o principal público, mas a alegria foi pouca. Os brinquedos e os palhaços profissionais contratados pela prefeitura, na opinião das crianças, "não tinham graça". E a fome foi um problema sério. A prefeitura só distribuiu pipoca e dindin de graça. Havia outros lanches na praça, mas tudo para comprar, um preço que muitas famílias simples não podiam pagar. Tem relato de criança que veio da zona rural e voltou para casa com a barriga vazia. A lembrancinha que deram para os pequenos veio com um salgadinho Kiko's e uns doces, um mau exemplo numa época em que tanto se fala em comer direito.

Para fechar a noite, o som que tocou na praça foi o do vereador Ricardo do Dé. Isso chamou a atenção porque o presidente da câmara já tinha dito em sessão que o som desse vereador "jamais" seria usado pela prefeitura. Um detalhe que mostra as brigas políticas que parecem ser mais importantes do que a união no aniversário da cidade.
Enquanto a festa de ontem foi considerada por muitos "muito fraca" e "pior que as dos prefeitos anteriores", a esperança agora é a sexta-feira, dia 24. A prefeitura vai pagar R$ 100 mil por um show da banda de forró Galícia Cruz. Esse contrato foi feito sem licitação, usando uma regra que permite isso em casos especiais. Só em 2025, a prefeitura já usou essa regra para gastar mais de 2 milhões, um número que preocupa.
A promessa é que o show vai vir junto com a inauguração de algumas reformas que já deram o que falar, com suspeitas de que custaram muito mais caro do que deveriam. Será que um show caro e obras com preço alto vão fazer o povo esquecer a fome e a desorganização do feriado? Ou vão ser só uma cortina de fumaça para os problemas de sempre?
Eliseu Martins fez 68 anos. Mas a pergunta que não quer calar, depois de uma festa com criança com fome e missa vazia, é: comemorar uma cidade é só fazer show e inaugurar obra? Ou é garantir o básico, como não deixar sua gente, principalmente as crianças, passando necessidade no próprio dia do aniversário? A esperança é que, até os 69 anos, o "puxa-saco" que realmente importa – que é cuidar bem do povo – seja finalmente entendido. Por enquanto, a sensação que ficou para muitos foi a de que "deveria ter ficado em casa".
