Escândalo dos panos de chão: onde foram parar os panos comprados pela Prefeitura de Eliseu Martins?
... e não é só isso: panos de prato, baldes, flanelas, toalhas de rosto e de banho – tudo comprado em quantidades industriais. Em apenas 70 dias úteis, a Prefeitura de Eliseu Martins (incluindo Fundo de Saúde e Fundo de Assistência Social) adquiriu 1.590 panos de chão e 643 panos de prato. Funcionários relatam que, na prática, os panos não chegam aos locais de trabalho.
O município de Eliseu Martins-PI, com pouco mais de 4,3 mil habitantes, protagoniza um caso que vai além do desperdício: é um escândalo de gestão. Levantamento do boraeliseu15.com no Painel de Preços Públicos do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) mostra que, entre 8 de janeiro e 22 de abril deste ano, a Prefeitura (incluindo Fundo de Saúde e Fundo de Assistência Social) adquiriu 1.590 panos de chão e 643 panos de prato. Considerando apenas os 70 dias úteis do período, a conta dá 22 panos de chão e 9 panos de prato por dia. Em um post inicial em nossas redes sociais, esse número era um pouco maior - . A diferença, já corrigida - era por conta de duas notas fiscais da Câmara Municipal estarem juntas - a Câmara adquiriu no mesmo período, 56 panos de chão e 70 panos de prato - considerando o tamanho e funcionamento da casa, é também um número elevado.
Os documentos fiscais anexados revelam um padrão suspeito: compras repetidas das mesmas duas empresas – Premium Distribuidora Ltda e José de Brito Alves –, vencedoras do Pregão Eletrônico nº 068/2025, renovado por aditivo em janeiro de 2026. As notas trazem valores sempre próximos e itens que, por sua natureza, deveriam durar meses ou anos. Exemplos: 400 baldes plásticos em uma única nota, 85 toalhas de rosto em outra, além de dezenas de rodos, vassouras, cestos de lixo e até toalhas de banho. É como se tudo fosse descartável.
Mas o que mais choca são os relatos que circulam nas redes sociais e em conversas com servidores. Moradores e funcionários públicos afirmam que, nos locais de trabalho, muitas vezes não há um pano de prato sequer – e que alguns servidores chegam a trazer panos de casa. A suspeita é clara: os itens comprados em quantidades industriais não estão chegando a quem deveriam servir. Ou estão sendo desviados, ou simplesmente não são distribuídos.

Diante disso, a Câmara Municipal não pode se omitir, além de também se explicar. Os vereadores precisam abrir uma investigação criteriosa: requisitar notas fiscais, convocar os secretários, verificar os estoques e, principalmente, ouvir os funcionários que relatam a falta de materiais básicos. O Tribunal de Contas e o Ministério Público também devem ser acionados imediatamente.
O pano de chão virou símbolo de um problema muito maior: o dinheiro público sendo gasto sem planejamento, transparência ou controle. Enquanto isso, quem trabalha na limpeza de escolas, postos de saúde e repartições públicas continua sem o mínimo para fazer o seu serviço.
