Inaugurado em dezembro, Campo Society de Eliseu Martins não resiste às chuvas de fevereiro e desaba
Menos de três meses após a inauguração com festa, um dos lados do recém-construído Campo Society simplesmente cedeu com as chuvas.
Vídeos que circulam nas redes sociais, gravados na tarde deste sábado (28), mostram a cena lamentável: piso afundado, grama sintética destruída, estrutura metálica de proteção torta e uma das traves completamente desalinhada. O equipamento, que custou aos cofres públicos R$ 381 mil após um controverso aditivo assinado depois da inauguração, agora oferece risco à população e virou motivo de preocupação para quem mora nas proximidades.
Na sexta-feira (27), durante a abertura dos trabalhos legislativos na Câmara Municipal, o prefeito Marcos Aurélio ocupou a tribuna por longos minutos. Em tom de defesa e autopromoção, usou repetidamente a primeira pessoa para listar suas conquistas: "Eu consegui", "Eu construí", "Eu fiz". Entre as obras exaltadas estava justamente o Campo Society, que o prefeito classificou como motivo de inveja para outros municípios — que, segundo ele, só teriam estruturas assim na rede particular. Mais ainda: anunciou que já garantiu recursos para construir outros três campos do mesmo padrão em Eliseu Martins ainda este ano. Menos de 24 horas depois, as imagens do desabamento mostraram que a realidade é bem diferente do discurso.
A obra foi contratada em agosto de 2025 por R$ 307.442,88, vencendo a licitação com proposta mais baixa que a segunda colocada. Inaugurada em dezembro com festa, ganhou 11 dias depois um aditivo de R$ 73.859,24 — elevando o custo total para R$ 381.302,12, valor R$ 61 mil superior à proposta da empresa que ficou em segundo lugar. Agora, com as chuvas, a fragilidade ficou exposta. O problema pode estar no solo mal compactado, na drenagem inexistente ou nos materiais de baixa qualidade. Seja qual for a causa, uma coisa é certa: a fiscalização da Prefeitura deveria ter identificado e corrigido isso antes de atestar o recebimento da obra.
A responsabilidade é compartilhada entre a Construtora Caxé, que executou o serviço, e o poder público, que aprovou, fiscalizou e pagou. Agora, para recuperar o estrago, mais dinheiro público será necessário — a menos que a empresa seja obrigada a arcar com os custos. Enquanto isso, o campo recém-inaugurado virou um elefante branco e, pior, um perigo. Os vereadores, que ouviram o discurso do prefeito na tribuna, têm agora a prova de que a realidade desmente as palavras. A população espera respostas.
📲 Assista aos vídeos do discurso do prefeito e do "afundamento" da estrutura:
