PREFEITURA DE ELISEU MARTINS PREMIA FRACASSO: ENQUANTO LIXO VIRA MOSCAS E SERVIDORES SÃO ESQUECIDOS, EMPRESA FALHA RECEBE AUMENTO DE 10%
A gestão "Pode Mais" do prefeito Marcos Aurélio Guimarães decidiu dar uma lição à população sobre o que realmente importa para a administração pública. Enquanto professores e servidores municipais lutam por um reajuste que pelo menos acompanhe a inflação, a empresa responsável por um dos serviços mais criticados da cidade acaba de receber um presente em dinheiro vivo dos cofres públicos.
A Cleton Dias dos Santos LTDA, contratada para a coleta de lixo, teve seu contrato não só renovado, como também aumentado em 10,93%. O valor mensal pago pela prefeitura saltou de R$ 57.511,30 para R$ 58.559,45. O motivo? Um aditivo contratual publicado sem qualquer justificativa técnica que o cidadão comum possa entender. Apenas uma frase vaga sobre uma "solicitação aprovada pela autoridade competente".

Documento oficial disponível em https://transparencia.eliseumartins.pi.gov.br/uploads/files/2026/2/4/e152daa4-fb14-4461-919f-cf2ab317ba4c.pdf
Acontece que essa mesma "autoridade competente" parece ter vivido em uma bolha nos últimos meses. Ignorou solenemente as ruas tomadas por sacos de lixo e o fedor que se espalha pelos bairros. Fingiu não ver as denúncias de que o serviço seria usado como moeda de troca política, "pulando" a casa de quem não votou no prefeito. E fechou os olhos para o espetáculo de horror sanitário que se instalou: a infestação de moscas varejeiras, criadas no lixo orgânico acumulado, que invadem as casas e tornam impossível até mesmo um almoço de domingo em paz.
O caminhão compactador, que deveria ser a solução, virou piada. Passa mais tempo quebrado do que nas ruas. Em seu lugar, a população testemunha a "gambiarra" oficial: o lixo sendo transportado em baús de mudança e até em caminhões abertos, sem qualquer proteção, espalhando sujeira e mau cheiro pelo trajeto. É o retrato da amadorice sendo bancada com dinheiro de imposto.
A pergunta que não cala é: que critério é esse? Que "interesse público" justifica aumentar o dinheiro dado a quem não entrega o serviço combinado? A Lei de Licitações é clara: contratos só podem ser renovados e aumentados se forem comprovadamente satisfatórios e convenientes para o município. Em que mundo um serviço que gera uma praga de moscas e deixa o lixo apodrecer nas portas das casas pode ser considerado "satisfatório"?
Enquanto isso, os servidores que realmente mantêm a cidade funcionando – os professores que educam nossas crianças, os profissionais da saúde, os agentes administrativos – seguem sendo esquecidos. Seus salários não têm ganho real. A inflação corrói seu poder de compra mês a mês. O prefeito Marcos Aurélio não encontra recursos, motivação ou "autoridade competente" para valorizar esses trabalhadores. Mas para jogar mais de mil reais a mais por mês no ralo de um contrato falho, a verba e a vontade política aparecem imediatamente.
A mensagem enviada pela Prefeitura é cristalina e amarga: a incompetência é recompensada. A dedicação, não. O clientelismo (a troca de favores) fala mais alto que a eficiência. E o bem-estar da população é a última das prioridades.
Eliseu Martins merece respostas. O prefeito Marcos Aurélio deve explicar à população com base em quais relatórios de satisfação, em quais indicadores de excelência, ele decidiu recompensar com um aumento uma empresa que falhou tão grotescamente. Até lá, o povo seguirá pagando a conta em dobro: com o dinheiro dos impostos que vai para o lixo, e com a saúde que se vai no meio do lixo e das moscas.
