R$ 1,6 MILHÃO EM UM MÊS, MAS SAÚDE DE ELISEU MARTINS CONTINUA DE JOELHOS

03/07/2026

Enquanto a gestão municipal comemora obras eleitoreiras, a população amarga ambulâncias quebradas, laboratório parado, noites sem médico e pacientes que saem do hospital sem remédio. Os números mostram que dinheiro não falta. Falta gestão, falta prioridade e falta respeito. Confira a matéria e os extratos bancários no final:

Em junho de 2026, o Fundo Municipal de Saúde de Eliseu Martins recebeu mais de 1,6 milhão de reais em repasses federais. O valor inclui emendas parlamentares, programas estruturantes do SUS e as deduções obrigatórias de 15 por cento do FPM, que por lei devem ser aplicadas na saúde.

O dinheiro entrou. Mas o que a população viu em troca foi um sistema de saúde em estado de abandono.

Levantamento exclusivo com base em extratos bancários e no demonstrativo DAF mostra que a saúde do município recebeu, em um único mês, 1 milhão e 363 mil reais em transferências do Fundo Nacional de Saúde — provenientes de emendas da Bancada do Piauí e do senador Ciro Nogueira, piso da enfermagem, atenção primária, SAMU 192, agentes comunitários, incentivos da APS e procedimentos de média e alta complexidade. Além disso, entraram mais 240 mil reais referentes às deduções da saúde incidentes sobre FPM, ITR, IPI Exportação e LC 198/23.

Somando tudo, o Fundo Municipal de Saúde contou com 1 milhão e 604 mil reais apenas em junho.

E o que a população recebeu em troca? Relatos colhidos em grupos de WhatsApp são devastadores. Moradores denunciam que as ambulâncias estão quebradas e não há veículos disponíveis para atender chamados de urgência., o laboratório municipal simplesmente não funciona e que nas noites de terça, sexta, sábado e domingo, a cidade fica sem médico.

Não bastasse o descaso com a estrutura e o atendimento, a direção do hospital publicou um comunicado oficial informando que, a partir de agora, a continuidade do tratamento medicamentoso após a alta hospitalar é de responsabilidade do paciente e de sua família. A unidade alega que precisa focar seus recursos nos atendimentos de urgência e emergência. Na prática, quem precisa de remédios para doenças crônicas, pós-cirúrgicas ou tratamentos de longa duração sai do hospital com a receita na mão e que se vire para comprar.

O discurso da gestão é de contenção de gastos. Os números, porém, contam outra história.

Dos mais de 1,6 milhão que entraram, cerca de 1,3 milhão foram pagos a fornecedores e prestadores de serviços. Empresas de combustível, gráficas, clínicas, distribuidoras de medicamentos e profissionais de saúde receberam seus repasses. O dinheiro circulou. Só não virou atendimento de qualidade.

Há ainda um dado que escancara a falta de prioridade: a emenda da Bancada do Piauí, no valor de 350 mil reais, destinada ao incremento temporário da Atenção Primária, não teve nenhum centavo utilizado em junho. O recurso entrou, mas permaneceu parado enquanto a população esperava por melhorias que nunca chegam.

Para completar o cenário, a gestão municipal parece ter outras prioridades. Enquanto a saúde agoniza, o prefeito e seus aliados celebram obras de praças e eventos bancados com emendas parlamentares de candidatos ligados ao grupo político que comanda a cidade. São obras eleitoreiras, erguidas com dinheiro público, mas sem nenhum impacto na qualidade de vida de quem realmente precisa de serviços essenciais.

Funcionários públicos, por sua vez, relatam atrasos no pagamento de direitos trabalhistas básicos, como o terço de férias. Isso acontece em um mês em que a prefeitura recebeu, somente de FPM, mais de 1,6 milhão de reais. O demonstrativo DAF mostra que, somando todas as fontes — FNS, FPM, IPVA, ICMS, FPE, Simples Nacional, entre outras —, os cofres municipais foram abastecidos com mais de 2,5 milhões de reais em junho. Além dessas receitas, o município também recebeu de ICMS mais de 300 mil reais no período (já descontado o FUNDEB, o valor líquido foi de 243 mil reais), conforme extrato de repasses. E isso sem contar outras receitas não especificadas aqui, como os recursos da educação, receitas próprias e outras transferências. Por baixo, o valor total que entrou nos cofres de Eliseu Martins em junho ultrapassa os 3,5 milhões de reais.

Com tanto dinheiro entrando, a pergunta que não quer calar é: para onde vai o dinheiro da saúde de Eliseu Martins?

Os números estão disponíveis. Os relatos da população são numerosos. A direção do hospital admite publicamente que não pode mais arcar com o custo dos medicamentos para pacientes em tratamento contínuo. O laboratório está fechado. As ambulâncias estão quebradas. Os plantões noturnos acontecem sem médico.

A conclusão é inevitável: dinheiro não falta para a saúde de Eliseu Martins. Falta gestão, falta prioridade e falta respeito com o cidadão que depende do Sistema Único de Saúde. Enquanto os recursos entram e saem sem que a população veja qualquer melhoria, a cidade continua refém de uma administração que prefere o palanque ao posto de saúde, a foto ao atendimento, a obra à vida.

O SUS tem problemas estruturais em todo o país. Mas, em Eliseu Martins, o descaso tem nome, sobrenome e extrato bancário.

Confira os extratos, demonstrativo DAF e outros documentos que serviram de fonte para a matéria:

Documentos - Fundo Municipal de Saúde

Documentos Saúde · Eliseu Martins

Extratos, emendas, DAF e planilha — junho/2026
extrato

Conta 33.115-5

FMS Custeio SUS · movimentação completa de junho
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DAF

Demonstrativo DAF

Cota DAF com deduções saúde, FPM, IPI, ICMS e mais
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planilha

Planilha detalhada

Todos os repasses FNS recebidos em junho/2026
Abrir planilha
emenda

Emenda Bancada do Piauí

Detalhamento da ordem bancária · R$ 350 mil
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emenda

Emenda Ciro Nogueira

Detalhamento da ordem bancária · R$ 200 mil
Acessar PDF
extrato

Extrato Bancada

Movimentação da conta 47.966-7 (R$ 350 mil)
Acessar PDF
extrato

Extrato Ciro Nogueira

Movimentação da conta 47.680-3 (R$ 200 mil)
Acessar PDF
extrato

Extrato Piso Enfermagem

Conta 41.491-3 · pagamentos a profissionais
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