Soma que não fecha: Prefeitura de Eliseu Martins "desaparece" da própria contabilidade em dezembro de 2025
Balancetes Analíticos obtidos pelo boraeliseu15.com mostram que a Administração Direta do município foi excluída da consolidação de dezembro, enquanto em novembro e janeiro ela aparece. A diferença de R$ 9,4 milhões entre os balancetes levanta suspeitas de irregularidade contábil.
A regra é clara e vale para qualquer prefeitura séria no Brasil: o saldo que encerra um mês tem que ser o mesmo que abre o mês seguinte. Isso significa que o "Saldo Anterior" de um balancete mensal precisa ser exatamente igual ao "Saldo Atual" do balancete do mês anterior. Essa é uma regra básica, obrigatória, e está na Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000), que foi feita exatamente para impedir que gestores maquiem números e escondam a verdade da população.
Pois bem: a nossa reportagem resolveu testar essa regra nos Balancetes Analíticos da Prefeitura de Eliseu Martins — e o que encontrou é gravíssimo.
Ao analisar os documentos oficiais disponíveis no Portal da Cidadania do TCE-PI, referentes aos meses de novembro de 2025, dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a equipe do boraeliseu15.com descobriu algo estarrecedor: a Prefeitura de Eliseu Martins (Entidade 02) simplesmente "desapareceu" do balancete consolidado de dezembro de 2025.
Os números não mentem:
Em novembro de 2025, a Prefeitura (Entidade 02) estava presente no consolidado, com Ativo total de R$ 9.407.251,44.
Em dezembro de 2025, a mesma Entidade 02 não consta no balancete consolidado. Simplesmente sumiu.
Em janeiro de 2026, a Entidade 02 reaparece — com Ativo de R$ 10.056.916,79, um valor coerente com o registrado no final de novembro (R$ 9,4 milhões). Ou seja: a Prefeitura ficou de fora da consolidação no mês de dezembro de 2025.
A consequência direta disso é que o balancete consolidado de dezembro de 2025 ficou R$ 9.407.251,44 mais baixo do que o de novembro — exatamente o valor do Ativo da Prefeitura que "desapareceu".
A reportagem não faz acusações levianas. Os fatos estão nos documentos oficiais, disponíveis para qualquer cidadão no Portal da Cidadania do Tribunal de Contas do Estado do Piauí. O que se observa é que a consolidação contábil de dezembro foi feita sem incluir a própria Prefeitura. A pergunta que não quer calar é: por quê?
Isso significa que, por um mês inteiro (dezembro de 2025), a situação financeira real da Prefeitura de Eliseu Martins não foi apresentada à população nem aos órgãos de fiscalização no balancete consolidado. O patrimônio público foi subdimensionado em quase R$ 10 milhões. A manobra, seja por erro técnico ou má-fé, impede que o cidadão saiba, com segurança, se o município está gastando mais do que arrecada, se as dívidas estão aumentando ou se os restos a pagar estão sendo manipulados. Certo não está.
A Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada justamente para coibir esse tipo de prática, garantindo que a administração pública preste contas de forma clara, transparente e rastreável. Ao excluir a própria Prefeitura da sua consolidação contábil — ainda que por um mês —, o município de Eliseu Martins desrespeita a lei e, mais grave, desrespeita o cidadão que tenta acompanhar o destino do seu dinheiro.
Nossa reportagem abre espaço para que a Prefeitura ou a contabilidade responsável se manifeste. Caso queira se explicar, basta escrever para o e-mail adm@boraeliseu15.com. Publicaremos a resposta assim que for recebida. A população de Eliseu Martins tem o direito de saber o que aconteceu com seus R$ 9,4 milhões em dezembro de 2025.
O boraeliseu15.com analisou os últimos 3 meses disponíveis no Portal da Cidadania e, para fins de comparação, também verificou balancetes anteriores. A conclusão é que a irregularidade — exclusão da Prefeitura da consolidação — ocorre apenas no balancete de dezembro de 2025. Os demais meses analisados estão normais, à exceção do mês de fevereiro de 2025, cujo arquivo disponibilizado encontra-se ILEGÍVEL, apresentando caracteres estranhos como "2G\5f'op1L;WijE@Aio5d- v'z"ZA 1c_CSuqcZv u- *a;Uu#47eOHE"AEi&t'eqo" — apesar de estar formalmente assinado pelo gestor municipal. Diante disso, sugerimos que os Vereadores da Câmara Municipal de Eliseu Martins averiguem se essa falha na consolidação de dezembro de 2025 foi um erro pontual ou se há outras inconsistências nos arquivos de meses anteriores, especialmente naqueles que se encontram ilegíveis.
Abaixo, os documentos analisados por nossa matéria e os links dos arquivos no Portal da Cidadania do TCE-PI:
Arquivos originais disponíveis no Portal da Cidadania do Tribunal de Contas do Estado do Piauí - TCE/PI:
