Terreno do Irmão do Prefeito, o Campinho "Poeirão", Vira 25 Casas em Licitação Relâmpago

13/12/2025

Casas foram conquistadas na gestão anterior, mas terreno escolhido é de familiar do atual prefeito; edital revela que imóvel ainda não era do município

As 25 unidades habitacionais que serão construídas em Eliseu Martins foram conquistadas ainda na gestão do ex-prefeito Aldimar Dias, através de um convênio federal. Agora, na administração do prefeito Marcos Aurélio Araújo, a obra se inicia – mas sobre um terreno que gera desconfiança na população.

Documentos revelam que a licitação foi lançada mesmo sem que o imóvel escolhido pertencesse oficialmente ao município. A comunidade sabe: a área é de propriedade de Francisco Brito, o Chico Brito, irmão do prefeito atual. O edital traz uma declaração do gestor afirmando que a Prefeitura tem "posse da área". A declaração admite que a Prefeitura ainda não tem a propriedade plena do terreno. Ela alega ter apenas a "posse", mas se compromete a regularizar a "propriedade" no futuro. A referência está na página 44 do edital, na "DECLARAÇÃO DE POSSE DE TERRENO LOCALIZADO EM ÁREA PÚBLICA".

"[...] comprovar, até o final da execução do objeto do instrumento [...] a regularização formal dos plenos poderes inerentes à propriedade do imóvel."

Ou seja, O município está licitando a construção de casas em um terreno que ainda não é dele. O edital completo pode ser baixado em PDF na página onde ocorrerá a disputa, o site COMPRASBR.

O processo foi publicado em 8 de dezembro, com prazo de apenas 18 dias para propostas e abertura marcada para 26 de dezembro – período de festas, com baixa movimentação no setor. O documento detalha as plantas das casas que substituirão o campo "Poeirão", mas não menciona alternativas ou compensação pela perda do espaço esportivo usado há anos pela juventude local.

As imagens utilizadas no documento mostram o campinho cheio de vida, com jogos e movimento comunitário. Já o texto do edital silencia sobre a matrícula do imóvel e o processo de aquisição. O que deveria ser a materialização de uma conquista da gestão anterior amarga agora o gosto do favorecimento: um benefício coletivo sendo executado sobre um terreno familiar, em um processo que deixa para trás não apenas o "Poeirão", mas também a transparência e o interesse público.