Vereadores trocam acusações de estupro e bingo enquanto prefeitura acumula irregularidades – e Câmara nada faz
Confira no fim da matéria os vídeos das acusações, a confissão do atestado falso e o print da provocação dos "coelhos".
Na última sexta-feira, 17 de julho de 2026, o vereador Ricardo do Dé (Ricardo Alves), que se autointitula "Vereador do Povo", postou um vídeo que incendiou a política de Eliseu Martins (PI). Ele acusou publicamente o colega de parlamento Ricardo Estrela de ter usado tornozeleira eletrônica e respondido a processo por estupro. A indignação de Ricardo do Dé veio à tona depois que Estrela denunciou ao Ministério Público o "Bingo da Baeta", evento organizado por ele, classificando-o como jogo de azar. "Com que moral um parlamentar com esse passado tenta impedir o trabalho de cidadãos honestos?", disparou o vereador. Do outro lado, Ricardo Estrela respondeu com frases enigmáticas em seu status no WhatsApp: "O mal nunca vai vencer o bem, e as mentiras nunca vão prevalecer diante da verdade – e os coelhos sempre vão ter fome de cenouras" – o que fez o leitor lembrar dos implantes dentários exagerados de Ricardo do Dé, numa clara provocação sobre sua suposta "fome" por cargos e eventos lucrativos.
A briga, no entanto, escancara algo muito mais grave do que uma simples troca de farpas entre dois aliados do prefeito Marcos Aurélio Guimarães. O problema é que os dois – assim como outros quatro vereadores da base governista – simplesmente abandonaram o papel fundamental do Legislativo: fiscalizar o Executivo. Dos nove vereadores da Câmara, seis formam um bloco blindado que aprova tudo o que vem da prefeitura sem questionar absolutamente nada. São eles, além de Ricardo do Dé e Ricardo Estrela, o presidente da Câmara, Idelson Costa, e mais três: João Luís Dias, Raimundo do Nero e Alípio Jr. A oposição, com apenas três cadeiras, não tem força sequer para pedir vistas de um projeto. Em troca desse alinhamento automático, cada um desses seis vereadores tem familiares e indicados lotando cargos na administração municipal – a velha moeda de troca que corrompe a política local.
Enquanto eles se digladiam por causa de um bingo, a prefeitura acumula denúncias graves, e a Câmara finge que nada está acontecendo. O portal boraeliseu15.com, que há meses expõe irregularidades na gestão de Marcos Aurélio – desde balancetes que não fecham e serviços de saúde que não funcionam até contratações sem concurso público e nomeações de parentes do prefeito para cargos-chave –, tem um acervo de reportagens que mostram um cenário de descaso, opacidade e possível improbidade. E a pergunta que não quer calar é: o que fizeram os seis vereadores da situação diante de tudo isso? Nada. Absolutamente nada. Não pediram CPIs, não convocaram secretários, não denunciaram ao Ministério Público, não cobraram explicações no plenário. Apenas aprovaram, calaram e continuaram a lotear cargos para seus apadrinhados.
O caso fica ainda mais podre quando se lembra de outra irregularidade escancarada: o presidente da Câmara, Idelson Costa, assinou no ano passado um ofício de recebimento de balancetes que sequer haviam sido entregues pela prefeitura – tudo para que o prefeito Marcos Aurélio não pagasse multa por atraso ao TCE-PI. Falsidade ideológica pura, registrada em documento público. E nenhum dos seis vereadores da base denunciou o fato. Pelo contrário, continuam votando tudo o que o Executivo manda, sem qualquer pudor. Ricardo do Dé, que se diz o "Vereador do Povo", é organizador habitual de bingos – uma contravenção penal – e agora quer dar lição de moral sobre passado criminal. Ricardo Estrela, que segundo o próprio colega respondeu por estupro e usou tornozeleira, se arvora em fiscal da ética para cancelar um evento que prejudicou trabalhadores, mas não tem coragem de pedir explicações sobre as dezenas de irregularidades já publicadas pelo portal. E os outros três – João Luís Dias, Raimundo do Nero e Alípio Jr. – simplesmente se omitem, aprovam tudo e lotam a prefeitura de parentes.
No fim das contas, a briga entre os dois Ricardos não passa de teatro de conveniência. Eles não estão preocupados com a verdade, com a moral ou com o dinheiro público. Estão disputando espaço ao lado do prefeito – o grande chefão do esquema – para garantir mais cargos, mais influência e mais fatias do bolo. Enquanto isso, a Câmara vira um carimbo automático, o presidente atesta o que não recebe, a prefeitura acumula denúncias que vão de contabilidade fraudulenta a saúde pública sucateada, e a população fica sem fiscalização, sem transparência e sem respeito. Os eleitores de Eliseu Martins precisam se perguntar: vale a pena manter uma Câmara onde seis vereadores trocam aprovação cega por empregos para parentes, enquanto o dinheiro público é mal gerido e ninguém – absolutamente ninguém – cobra explicações? O portal boraeliseu15.com faz o dever de casa toda semana. A Câmara, não. O Ministério Público, ainda não. Eliseu Martins merece mais. Muito mais. Como diz a frase: "Eliseu Martins pode mais".

