Favorecimento, superfaturamento e laranjas: os indícios de irregularidades nas contas da saúde de Eliseu Martins
Uma leitura atenta dos extratos bancários das contas da saúde de Eliseu Martins – especificamente o FMS Custeio SUS (conta 33.115-5) e o FMS Enfermagem (conta 41.491-3) – referentes aos primeiros 18 dias de junho de 2026, revela um cenário de gestão fiscal que fere a transparência e o bom uso do dinheiro público. Mais do que números, o que se vê são indícios robustos de favorecimento, superfaturamento e desvio de finalidade que merecem apuração imediata.
A começar pelas famosas "transferências para o próprio município": cerca de 16 mil reais foram retirados dos impostos retidos dos servidores da saúde e enviados para a conta arrecadação da prefeitura – o famoso ISS –, uma prática que, embora legalmente justificada como repasse de IRRF, na prática drena recursos que deveriam ficar vinculados ao SUS para "tapar buracos" em outras áreas, sem que o destino final seja claramente identificado.
Enquanto isso, a população convive com uma ambulância municipal constantemente quebrada e apenas a do SAMU disponível para urgências – que não pode fazer viagens longas –, além de dois carros pequenos. Mesmo assim, a Secretaria de Saúde pagou, apenas no dia 10 de junho, quase 83 mil reais em combustíveis para a empresa A F Combustíveis. Como justificar um consumo tão astronômico com uma frota tão reduzida e sucateada? A suspeita de que esse dinheiro abastece veículos particulares ou é desviado é mais do que razoável.
No mesmo dia 10 de junho, outro pagamento chama a atenção: 15 mil reais para o Laboratório Rocha, da empresa Maria de Fátima Rocha de Araújo, cuja titular é tia do prefeito. Não é um caso isolado – extratos anteriores mostram valores recorrentes e vultosos para a mesma empresa, o que indica um claro favorecimento familiar e possível direcionamento de licitação.
Na área administrativa, a manutenção de copiadoras e impressoras também levanta suspeitas: a empresa Noely Dias dos Santos Ltda recebeu 3 mil reais no dia 10 de junho pela saúde, e mais 5 mil reais no dia 12 de junho pelo FUNDEB – tudo no mesmo mês. No entanto, é notório que esses equipamentos vivem quebrados, e o valor gasto recorrentemente daria para comprar máquinas novas, em vez de pagar consertos sem fim.
Passando para os pagamentos a servidores e prestadores, o caso de Marcos Pereira Martins é emblemático: ele recebeu 3 mil reais como pessoa física (motorista) no dia 10 de junho, e no mesmo dia e no dia seguinte, como pessoa jurídica, recebeu 4 mil, 3 mil e 500 reais – totalizando 7,5 mil reais – supostamente pelo fornecimento de "quentinhas". Ou seja, um mesmo motorista acumula salário e ainda fornece refeições à prefeitura, com valores que, em meses anteriores, foram muito maiores, conforme já denunciou o portal boraeliseu15.com.
Esse mesmo extrato revela ainda um pagamento de 5 mil reais para a MEI Juraci Alves da Silva, sob a justificativa de "buffet". Contudo, é de conhecimento público que essa empresa não possui estrutura física nem equipe para executar tal serviço, e não há registro de nenhum evento oficial que justifique esse gasto – o que sugere que se trata de mais um "laranja" para desviar recursos, prática que se repete em diversas contas do município.
Por fim, chama a atenção o valor pago a um enfermeiro: 3,1 mil reais na conta FMS Enfermagem (dia 5 de junho) e mais 1,5 mil reais na conta FMS Custeio (dia 19 de junho), totalizando 4,6 mil reais no mesmo mês, fora as diárias – um montante muito superior ao de seus colegas de profissão que atuam no mesmo ambiente. Os extratos não explicam a razão dessa gratificação extra, e a duplicidade de vínculos ou pagamentos sem lastro funcional é mais um ponto a ser investigado.
Diante de tantos indícios – combustível para frota inexistente, favorecimento a parentes, empresas fantasmas, motorista que também é fornecedor e enfermeiro com salário diferenciado – fica claro que a saúde de Eliseu Martins está sendo tratada como um balcão de negócios pessoais e políticos, enquanto a população carece do básico. O Tribunal de Contas, o Ministério Público e a CGU precisam agir com urgência.
O boraeliseu15.com disponibiliza o e-mail adm@boraeliseu15.com para o envio de quaisquer esclarecimentos por parte da gestão ou envolvidos.
Confira os extratos analisados pelo portal e que levantaram as suspeitas.
